O Bonequinho doce: história de leituras

Após navegar na internet em busca de informações sobre a edição rara de um clássico da literatura brasileira, eis o contato com o meu blog. Se você aprecia literatura infantil, embarque nessa deliciosa lição de amor à leitura, de respeito e carinho com os livros que compõem o imaginário da nossa rica cultura.
No dia 05 de junho, recebi um e-mail do senhor Célio Amorim, escritor de João Pinheiro, cidade do noroeste de Minas Gerais. Acompanhe um trecho da conversa:

“Entrei em contato com seu blog, pesquisando as imagens a respeito da  3ª edição  do livro "O Bonequinho doce", de Alaíde Lisboa, da década de 1950; entretanto não encontrei nenhuma imagem na Web. Acredito que o exemplar que possuo seja muito raro, pois vi o da "Bonequinha Preta" nas mãos da autora já idosa, mas não o do "Bonequinho doce" original. Caso escrevesse a respeito desta edição, ficaria eternamente grato(...)”

É bom ressaltar que eu nunca pensei que pudesse receber um pedido dessa natureza. Alegrias múltiplas na minha carreira de professor de leituras. Trata-se de um desafio escrever sobre um clássico, sobretudo, da nossa literatura. Nesse sentido, não farei aqui uma análise técnica da referida obra, mas vou compartilhar com os seguidores parte dessa felicidade, que é ter um livro para toda a família. É esse amor ao clássico que permeará esta simples matéria.

Célio Amorim estava coberto de razão, ao se referir à rara edição, pois na Biblioteca Nacional não há sequer um exemplar do original de "O Bonequinho doce". Uma outra novidade é que, embora atribuído à autoria Alaíde Lisboa, ela apenas recontou a história que ouviu durante muitos anos. Basta conferir no prefácio dessa preciosa edição, publicada entre os anos de 1945 e 1948, segundo estimativa de Célio Amorim.
Gostaria que reparassem os detalhes das publicações daquela época: o design, as fontes empregadas, a ilustração, o emprego da norma culta da Língua Portuguesa. De fato, é um presente estar diante de tamanha raridade da nossa literatura. Provavelmente, é a primeira vez que essas imagens estão sendo publicadas para os leitores na internet.




Agora, muitos seguidores devem estar se perguntando: por que alguém pediria uma matéria sobre um livro de literatura infantil? Respondo-lhe em dose de encantos. As imagens que visualiza e que compõem a 3ª edição do título "O Bonequinho doce" pertencem a mesma família há exatos 65 anos. 

Quando tinha 09 anos, Doralice Coelho de Amorim Machado, a aluna da Escola Antônio Dias Maciel, em Patos de Minas, teve o privilégio de ler esse clássico de Alaíde Lisboa. A senhora Doralice Machado, mãe do escritor, comenta que:

Doralice Machado 
ter lido este clássico foi como estar no país das maravilhas, pois naquela época os livros infantis significavam para uma criança o mesmo que  ganhar um tablet, nos dias de hoje, ou entrar em um cinema 6D, sentindo sensações mágicas.”

“Tão importante foi o livro que ela o guardou com todo cuidado durante 65 anos,” acrescenta Célio Amorim. E uma outra notícia amplia o horizonte do nosso contentamento em relação ao universo dos livros; pois a neta de dona Doralice Machado, a linda Sara Alves Machado, hoje com 08 anos, teve o prazer de estudar no mesmo livro. A escola onde está matriculada adotou o clássico para diversas atividades pedagógicas. Fico imaginando a alegria do Célio Amorim, ao acompanhar sua filha lendo o Bonequinho doce. 
Sara Alves Machado


O doce da narrativa que encantou e encanta mãe, filho e neta. O respeito, o amor e o carinho para com uma importante obra de nossa literatura foram as principais imagens que me motivaram a escrever esta matéria. Aproveito para agradecer ao Célio Amorim pela oportunidade de conhecer essa linda história de leituras no Brasil. 
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