Lendo um grafite da nossa quebrada


A arte é o encontro do ser humano com o mundo. Até no desencontro ela permanece essência. É mais do que possibilidade: uma janela aberta para horizontes diversos, inversos no universo da humanidade. A arte imita a vida ou é o contrário? 

Em uma das obras espalhadas na nossa comunidade,  Personagem banca de revista, Contagem, 2013, Luís Otávio World brinda-nos com a (ir)realidade. Como assim? Repare a obra, a seguir, em câmera lenta. Isto é, com muita calma.

O cenário é uma casa, uma construção com seus tijolos ainda expostos, a janela do andar de cima aberta, o 370 no portão sem pintura. Um muro naquele estado de reconstrução. Eis um ambiente perfeito! É aí que se eterniza o grafite. As cores e o desenho escolhidos pelo artista permitem outros olhares para o espaço da rua: a banca de jornal é revista com um garoto e seu remoto controle diante da tele(visão). As visões da tela, no amarelo, tingem a realidade do espectador.

Por que as imagens do monitor impressionam tanto o garoto? A luz das mãos se mistura ao tom raivoso da curiosidade. A banca de revista está fechada, mas lá dentro as notícias, os fatos poderiam muito bem justificar as ações do menino flagrado nesse grafite. Existe sim uma superposição de planos, o garoto é uma criança como qualquer outra, a rua pode ser como qualquer outra na Terra, MAS não é. Isso porque foram flagrados pela mágica do artista. Em outras palavras, temos uma anônima personagem iluminada....pelo World.
  



+