Child of light (R)








      

       Na verdade, confesso a todos que não acompanho o avanço dos jogos eletrônicos. Reconheço também que há muito preconceito em relação aos mesmos, sobretudo a respeito das pessoas que curtem esse tipo de entretenimento. Há até quem diga que se trata de “joguinhos para crianças”, mas até que ponto isso procede?
         Após inúmeras discussões sobre o conceito, as funções e os elementos que caracterizam uma obra de arte, Vicente Silva, aluno do 1.º TD, apresentou-me o clip do jogo que aparece no título deste post. Ao final de uma aula sobre artes românica e gótica, cuja atenção ficou voltada para os vitrais e outras curiosidades da produção gótica; ele me mostrou algumas imagens. Em seguida, enviou-me o vídeo completo. Só depois de uns 15 dias é que consegui tirar um tempinho para assistir ao trabalho.
Espere aí....não era um jogo, Farelo?  
Calma, leitor. O brother me apresentou o vídeo (indicado ao final da postagem), mas trata-se de uma espécie de tease do jogo intitulado “Child of Light”. Embora tenha poucas informações sobre essa linha de entretenimento, vou tecer alguns poucos comentários relacionados à concepção artística que permeia tal jogo. 

         Primeiro, há de se ressaltar o trabalho com a linguagem literária que introduz o jogo. Com uma tradução cuidadosa, os roteiristas/tradutores tiveram preocupação em manter as rimas, o que contribui para dialogar com as imagens e, ao mesmo tempo, transportar o jogador/leitor para o universo das histórias. Nesses minutos iniciais, tem-se a impressão de que se trata de uma sessão de contação de histórias; nessa parte são apresentados o espaço (Lemuria), os personagens, o tempo cronológico, enfim, o plano que sustentará a trajetória de Aurora.
         Segundo, a protagonista aparece num outro mundo, pois “dormiu” no primeiro plano para "acordar" nesse. E nele vai enfrentar alguns desafios. O cenário provoca tensão em que assiste, confirmada pela sonoplastia que vai guiando Aurora. Eis aí um pedido curioso da personagem: “Papai, acorda-me desse sono!”

         “Árvores mais negras que a noite escura
          Sombras em que a luz não se ventura”
         
         Terceiro ponto de destaque, ainda no primeiro capítulo, é o diálogo de Aurora com o Vaga-lume. Ao encontrá-la, ele pede para que ela limpe o orvalho do rosto e, a partir de então, passa a ajudá-la. Em outras palavras, o jogo é muito envolvente. 
      Realizei uma pesquisa rápida num site especializado, lá descobri que nesse game, “o jogador poderá vasculhar o mundo atrás das Confissões, nos pedaçps de papel que ficam voando pelos cenários. Nesses  s contém belos poemas sobre a história de Lemuria. Tais versos são essenciais para os jogadores que querem alcançar a conquista do Soneto Perfeito (Perfect Sonnet)."A saber, soneto é uma espécie de composição poética organizada em 14 versos, distribuídos em duas estrofes com quatro versos (quartetos) e duas com três versos casa (tercetos). 
      Desculpe-me o fã desse universo, caso tenha cometido algum deslize informativo, mas a intenção foi apenas compartilhar o meu encanto diante de um jogo que explora diversos elementos artísticos na sua construção, em especial, o trabalho com a linguagem literária. E depois também, não rola ficar detonando as formas de entretenimento de nossos filhos sem antes conhecer tais fontes de diversão, mão é mesmo? 
         Farelos por aí....

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Assista ao vídeo em: <https://www.youtube.com/watch?v=useRPrnbWg4>
Imagens disponíveis em: <http://www.techtudo.com.br>
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