Isso não é uma taça

A leitura de um texto verbal ou não verbal que leva à dúvida pelo traço da conotação é sempre uma rica experiência. (Depende, claro, se a pessoa não foi despertada para a riqueza da leitura, já era...)

Ao abrir a revista Educação, fui fisgado pela imagem que ilustra esta crônica. Por favor, leitor(a), dê uma olhada para a ilustração mais uma vez.

Não quero, antes de qualquer mi-mi-mi, aludir ao consumo de vinho branco ou de coquetéis com bebidas vermelhas. Longe disso, quero dizer que imagens assim suscitam leituras interessantes.

Diferentes, os líquidos são quase iguais. Não se trata de um espelhamento. Não há incidência de luz sobre a taça. Bem, fotografei apenas essa parte da matéria, assinada por Josué Machado, e saí por aí, garimpando impressões:

– Eu vi só duas garrafas coloridas. Nada de mais.

– A garrafa vermelha está vazia.

– Se a gente olhar as cores dentro da taça, elas parecem com paletas mexicanas.

– Você está maluco, meu! Tem é um coração aí.

E com as várias hipóteses, constatamos que a linguagem conotativa nos lança a outros mundos, pois não permite um único olhar. É, pois, um exercício para “desver o mundo”.
NOTA: essas leituras sobre “pensamento espacial” são da hora! Tô ficando cada vez mais interessado. 

Crédito das imagens: todas as imagens estão disponíveis na revista Educação. Ano 20. nº 238. 
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