Uma borboleta pousou na...

Gosto de mimos. Sou daqueles que curtem os brindes por mais simples que sejam. Ao comprar determinados produtos, fico aguardando o momento para ouvir: “você levará tal produto como brinde”.

Não estou falando de liquidação, muito menos das falsas promoções, um monte por aí.  Nada das lojas elegantes do shopping. Lá não há mimo.

Falo do armarinho do Éder, dono da papelaria mais antiga da quebrada. Qualquer hora que você chegar lá, além de bater papo, jogar conversa fora, você poderá tomar um delicioso café ou uma xícara de chá. Tem dinheiro, leva. Se não tiver, levará também. É que lá existe a caderneta do fiado. Um mimo que equilibra a conta de muitos moradores.

Falo é do salão do Zezim, um amigo da Região do Bairro do Nacional.  Além do café, do bolo, da água mineral geladinha, vire e mexe, rola uma gracinha: um gel para o cabelo, uma bala para tornar mais doce as amarguras desses tempos tão sombrios (Ah, como temos ouvido essa expressão).

Falo dos cadernos, agendas e blocos artesanais. Recordo-me de uma bloco que a aluna Cassiane me presenteou no ano de 2015. Outro caderno, com capa de madeira, que a Natália Lanza trouxe do México. Sem contar outros presentes que eu não daria conta de listar.

Falo de mimo.

Falo das canetas pontas com ponta fina, de gel que utilizo por mais de dez anos. Não vou dizer a marca. Não estou disposto a fazer propagandas. E sou fã dos corretivos de fita. Marca-texto é uma das ferramentas mais úteis na vida de um estudante, professor, escritor – leitor.

Ainda sobre caneta, não posso deixar de declarar oficialmente: tenho uma forte atração por caneta rosa. Pode pensar o que quiser, leitor. Outro dia falei que estava precisando de uma, a aluna Anna Soares, do 3º JV, retirou uma novinha do seu estojo e me presenteou. Menino do céu, com aquele ato, ela encheu minha manhã de alegria. Mimo.

Mais do que receber mimos, gosto mesmo é de oferecer algum bônus para as pessoas com quem convivo, em especial, meus alunos. Penso que poderia fazer muito mais por eles. Não estou me referindo aos pontos. Nada disso. Símbolos. Carinho.
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Há um ano decidi que colaria na prova dos alunos com notas a partir de 85% um adesivo bem fofo: uma carinha alegre. Funcionou bem no início, mas depois vi que poderia exigir mais deles e, por conseguinte, oferecer um brinde à altura da nota máxima. Eis que surge a ideia de presenteá-los com uma borboleta bem discreta (mentira), porém muito fofa. A bichinha pousa geralmente perto do cabeçalho da avaliação, entre um PARABÉNS e a nota.

Resultado: quem conquista uma borboleta dessas, fotografa, posta no Twiiter e sai por aí tirando a maior onda. Mas a borboleta só pousa na prova de quem tira total. Nada de 9,9, entendeu?

Novidade: para quem ainda não sabe, estamos pensando seriamente em premiar o aluno que alcançar três borboletas dessas no ano. Como? A ideia é montar um adesivo especial do Stuart Little. Assim, ganhou três borboletas? Levou um Stuart.


Por que um ratinho? Na verdade, eu também sou conhecido assim. Antes mesmo do farelo, uma aluna disse que eu parecia com o Stuart Little. Será que ela estava enganada? Acho que não.
E uma última confissão: estou curtindo demais esse lance de caçar borboletas durante a correção das provas. Detalhe: caço esse inseto não para aprisioná-lo, mas para apreciar a beleza que há em suas cores.




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