A mulher que tá na boca do povo


Farelo, essa menina pode até estar muito famosa. Corre na boca miúda do povo, mas aqui ela não entra, nunca terá vez – advertiu-me o maior cabeleireiro da nossa quebrada, Zezim do Salão.
Enquanto o amigo aparava minha jubinha, a tal menina foi ganhando diversas impressões. Claro que eu tinha que tomar o devido cuidado para não pronunciar seu nome. De propósito, o Zezim poderia errar a direção e descontar parte do cabelo em uma das orelhas.
O fato é que você também vai assistir a tais impressões, mas sem se preocupar muito com o nome da famosinha. Do contrário, vai desanimar, deixando a crônica pela metade. Às impressões!
A tal garotinha não nasceu no Brasil. Chegou ao território nacional após provocar um arraso na Europa e no mundo. Foi anunciada lá, primeiro. E se consagrou de vez por aqui este ano.
  Empresas de diversos setores aproveitaram (algumas estão mais do que aproveitando) a passagem da menina para dispensarem alguns funcionários. (Estão cortando geral).
A garotinha aparece em todos os noticiários, seja no rádio; seja na televisão; e pelo incrível que pareça, certos jornalistas têm o prazer em apresentá-la de modo sarcástico.  
Claro que essa menina está diretamente relacionada com o cenário político. Disso ninguém tem dúvida. Chego a desconfiar (veja bem na hora de me processar ou copartilhar esta crônica por aí, viu?) que foi essa mesma menina que dividiu o Brasil em Coxinhas e Petralhas.
Um dado não pode ficar de fora: por essa menina, muitos brasileiros bateram suas panelas no primeiro semestre. Não. Agora, não sei. Foi por isso mesmo? 
Ao lado de palavras como CORRUPÇÃO, FORA, GOLPE, OCUPAÇÃO e IMPEACHMENT, a tal garotinha é, sem dúvida, a palavra do ano. Tem gente falando dela, sem ao menos saber de sua existência. Menina onipresente: boteco, empresa, busão, UBER, táxi, restaurante, igrejas, praças. Ah, mas ela adora estar em lugares específicos: na boca dos economistas, no sorriso dos pessimistas e no título das estatísticas.
Caro leitor, companheiro das manhãs de quinta-feira, não foi brincadeira chegar até aqui, discorrer sobre as configurações dessa jovem me deu um trabalho daqueles...Ufa!  
Respeito muito determinados temas, mas o que dizer mais de uma figura como essa que nos joga pra escanteio?  (Dificilmente escrevo sobre futebol).
Imagine que lástima seria se esse pobre cronista tentasse viver escrevendo sobre POLÍTICA. Coitado do leitor! (Observe as cores, pois essa crônica não é sobre política, viu?)
Se o Zezim está proibindo a entrada dessa menina no estabelecimento dele, alguma coisa deve estar fora do lugar. Tem um lance errado, certo? Errado.
Estamos em um ano que não pode virar décadas. Ainda dá tempo de refletir sobre os espinhos. Alguns ficarão nos caminhos dessa moça, mas a beleza da rosa? A realeza da rosa não pode ser esquecida. E quem é a menina que está na boca do povo? Leia somente as letras iniciais dos últimos cinco parágrafos.  Fui! 

Fotografia disponível em: <http://integra7.com.br/sombrinha-vermelha/>

       
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