Respeito com a Clarice

Há quase uma década a escritora Clarice Lispector tornou-se poetisa. Nos corredores da escola, nas epígrafes de artigos fajutos, nas mensagens de formatura, assíduos no Facebook: poemas da Clarice! 

Meu caro, minha querida, Clarice Lispector não foi poetisa. Será que ocorre aí uma confusão com a Cecília Meireles? São escritoras. Artistas completamente distintas.

Doce azul do infinito versus áspero ácido das horas. Pela comparação, você, leitor(a) esperto(a), sacou com qual me identifico. Isso porque leu uma crônica (as duas foram cronistas e contistas), conto ou um romance dela. Agora, caso queira conhecer um pouco dessa grande escritora, navegue no site oficial: www.claricelispector.com.br

Com essa de apenas curtir e compartilhar as pseudo-frases, Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu tornaram-se autores oficiais do Facebook. 


Que injustiça! Não vulgarize a obra e o trabalho de alguém tão importante para nossas letras. 


Não seja a Rede Globo, banalizando a paciência dos seus telespectadores. Vá lê Clarice. Ler. Ler. Pois, do contrário e muito provavelmente, ela verdadeiramente lhe mandaria a frase "... existe a quem falte o delicado essencial". 


Entre o que você leu aqui e o que vai sair dizendo por aí, cito duas frases da obra "A hora da estrela", abrindo e fechando o enredo: “A vida é um soco no estômago” e “a morte é um encontro consigo”.
      
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