Com cuidado


Promessa se tornou uma palavra muito questionável nos últimos tempos. Gosto de compará-la com certo tipo de roupa cara, daquelas que se usa em apenas em único evento. Depois essas peças são lançadas no fundo do guarda-roupa. E os espíritos mais desapegados chegam a doá-las, mas  ainda esse são raros em nosso planeta.

Ao comprar o único tabloide que circula na minha quebrada, surgiu aquela indignação ao ler na capa: “Novo prefeito defende volta do IPTU e reduz a tarifa para estudante aos domingos”. E a promessa?   

Contradição. Na campanha eleitoral do ano passado (isso porque ele surgiu do nada) esse mesmo prefeito prometeu com o seu atual vice que os moradores não pagariam IPTU. O Senhor Chico Promessa argumentou em sua posse que o “fim da isenção faz parte de orientação do Ministério Público”. Sério mesmo?

Espere aí, meu caro, e essa proposta da meia-tarifa para aos estudantes somente aos domingos? Por que não nos dias úteis? Que peso isso teria, se agora teremos a volta do imposto que não pagávamos há 20 de anos?

Promessa.

Agora, você compreende: promessa se aproxima daquela roupa que os políticos utilizam durante suas campanhas. E depois queimam... A população não foi ouvida. A atitude do Senhor Chico foi imoral. E quem pagará o pato? Quem sempre o fez.

A primeira crônica de 2017 vem com o pé no chão. Por isso mesmo não quero prometer nada. Tenho procurado usar com cuidado a palavra promessa. Ao contrário dessas figuras oportunistas, golpistas, não quero desgastar as palavras. Preciso delas para todas as ocasiões, curto-as na linguagem dos dias da semana, festas, protestos, conquistas e derrotas.

E aí? Qual palavra você quer usar com mais cuidado neste ano? 

Pintura disponível em: https://tonigaleria.files.wordpress.com/2010/03/gedc0834.jpg
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