Cemitério do Vento


Houve um tempo que Dito não tinha casa, parentes, nem amigos. Não tinha nada. E foram as datas que lhe deram um teto e uma cama para nela ele deitar e datar os bons momentos.

Dito não registrava datas tristes. Não era bom levar uma data que não merecia ser lembrada. Quando morria alguém, ele subia para o morro mais alto da cidade e lá acendia uma fogueira. Enquanto o fogo durava, ele pensava em todos os momentos felizes daquele morador. Depois o menino pegava um toco de carvão e riscava uma cruz em cima do nome do finado e a data que havia partido. 

Naquela data ele nunca mais mexia. Ali, o vento retirava a cor do carvão e vinha o vento, apagando do pedaço de madeira o momento. Dito batizou esse morro de Cemitério do Vento.

Imagem disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/Bonaventure_Cemetery,_Savannah,_Georgia-LCCN2008678153.jpg

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