Homenagem para a Ci


Era no final da manhã, a biblioteca naquele alvoroço de pais buscando os filhos, funcionários na hora do almoço, aproveitando o melhor das notícias, quando discretamente, ela chegou com um livro à minha mesa:
— Você já leu esses livros, professor? 
Não menti. Embora se tratasse de um título em sua 42ª edição, muito comentado em diversos setores empresariais, ainda não li. Pedi a ela que falasse da obra.  
Um brilho surgiu no seu olhar e eu fiquei meio sem entender o porquê do tamanho entusiasmo. Ela entrou pelo enredo, costurou as lacunas e como se falasse de um mestre, esbarrou na linda lição passada por um livro.
Mais surpreso fiquei no momento em que, num insight, ela na mistura de realidade e ficção soltou:
— Esse livro me ajudou muito!
Da fantasia à realidade. Ela contou que, desde menina, gostou muito de ler. E acreditou também que um dia a leitura seria de grande utilidade em sua trajetória. Naquele fim de manhã, começo de tarde, assisti ao sol da leitura clareando outros horizontes na vida da moça que foi à minha mesa.  Sabe por quê?
Ela enfrentou muitas dificuldades semelhante a muitos brasileiros espalhados nesse mundão de Deus. Não teve oportunidade de estudar no tempo certo, certo? Porém, uma vírgula a diferenciou dos demais: o gosto pela leitura.
Segurei para não perder os fios da racionalidade, diante do seu relato (uma areia areou meus olhos), pois o gosto pela leitura salva mais uma vida. De faxineira da escola ao cargo de auxiliar de biblioteca. A mudança de salário não é significativa, mas ter centenas de livros como companhia é riqueza imensurável. Quem é ela?
Essa deve ser a pergunta que lhe trouxe até aqui. E outra: qual foi o livro que ela apresentou? Vá à biblioteca e procure por Icielne da Silva. Ela lhe dirá o título do livro e um pouco mais sobre essa nossa inesquecível conversa.
Parabéns, Ci! É um prazer trabalhar contigo!
Viva a leitura!

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