Serenidade de um amor


*Mariana Capanema
Quando ele pediu para deitar em sua perna, ela nem mesmo hesitou, pois seus olhos vermelhos deixavam transparecer o cansaço de ser jovem. Agora, com a cabeça apoiada no colo dela, ele dorme tranquilamente, deitado sob o banco de trás do carro. Está encolhido e com as pernas dobradas, pois é muito alto e o espaço é muito pequeno para seu corpo. Ela observa a face serena e todos os seus detalhes. Os longos cílios fechados suavemente, a barba ainda por fazer, o cabelo macio passando por seus dedos carinhosos. A paz daquele momento reina em sua cabeça. De repente, em meio a seus vários sonhos, ele pega o braço dela e o abraça como uma criança abraça sua pelúcia. A posição não é confortável para ela, mas isso não importa: acordá-lo não é uma opção. Estão assim há algumas horas e ela ficará assim o tempo que for necessário, desde que o sono dele não seja interrompido.
Nem mesmo as bruscas freadas do carro são capazes de fazer com que seus olhos se abram. Em verdade, elas apenas a preocupam. O momento se tornou tão precioso, que não quer arriscar perdê-lo.  A bela paisagem passa velozmente pela janela, enquanto sua música favorita ecoa em seus ouvidos. Seus sonhos mais íntimos despontam em seus pensamentos, e divaga, indo alto, aproveitando aquele raro sentimento de paz e plenitude.
Logo, perdida em seu próprio mundo, seus olhos também começam a se fechar, e vai mergulhando lentamente em um sono tão profundo e calmo quanto o dele.

*Mariana Capanema é atleta, fã da literatura romântica, é estudante do Ensino Médio 
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