Que fosse antigo, mas não frio


Estava procurando um papel 
Um que fosse grande o bastante pra ser preenchido 
Um que fosse vazio o bastante para que eu preencha
E um que fosse fluído o bastante para me preencher 
Que fosse amorfo e sincero 
Que me completasse assim como eu o completo 
Que seja de perda insubstituível 
E que me ame em quanto o redijo 
Que fosse antigo, mas não frio 
E que fosse como a primeira vez todas as horas que lido 
Que não estivesse comigo todo o tempo 
Mas me esperaria chegar até em dias tristes e cinzentos 
Que me deixasse escrever o mesmo ou o novo 
Mas não tivesse medo de uma borracha, que mude como um origami de assopros 
Que fosse fundo o bastante como um poço 
Que se permite ser tocado e amado
E que fosse impossível de sair quando explorado 
Que fosse alto o bastante como as nuvens 
Alta o bastante para não permitir quedas e me prender a sua névoa 
Ah se a folha com seus cabelos olhasse pra  mim 
Certamente preencheria sua alma e seu olhar cor de amendoim 
Transbordaria tudo... 
Na tua boca carmesim.
Autor: “um anônimo iluminado
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