Desconectados, mas humanos

Esta crônica não abordará nenhuma expressão do universo jovem. Peço desculpas àqueles leitores que, vez ou outra, encontraram uma dose de humor nas histórias desenroladas até aqui. 

Este texto é quase um pedido. Uma pausa, não para apresentar uma novidade linguística, ou comentar uma frase cômica do cotidiano. É simplesmente o tom que encontrei para compor essa incômoda trama dos últimos dias...
           
Não vou acreditar na fraqueza das considerações vazias. Um jovem, na casa dos 18 anos, comentou recentemente que “anda um pouco difícil expressar carinho para as mulheres; pois ser romântico, agora, é sinônimo de ser gay”. Um homem chorar, então? Vergonha total.

Complicado isso.

Quem tem coragem de concordar com tal barbaridade, na certa, nunca sonhou com a experiência do afeto. E ainda não fez silêncio antes de pronunciar palavras que banalizam relações sociais.  
           
Não quero aceitar o comportamento corrosivo desses “desconectados” que passam por aí. Cuidado! Eles querem criticar todos os gestos da delicadeza, repetidos e reinventados por gerações e gerações. Daqui a pouco não reconhecerão a poesia presente num abraço. A ternura dos (re)encontros será apenas a página de um velho diálogo, esquecido no balanço dos nossos avós.   

Agora, em pleno início de século, vamos animalizar as relações? Porque se eles ainda não aprenderam, cada época tem seu jeito de amar; porém os contextos estão entrelaçados no respeito ao próximo. Do contrário, não estaríamos aqui. Contentes ou não, somos frutos do amor dos nossos pais. Será que os desconectados entenderiam isso?

Há quem diga, por exemplo, que enviar flores para a namorada é uma atitude cafona. Trocar mensagens com a noivo está fora de moda. Fazer uma declaração para a esposa é pagar mico. Pior que não respeitar o modo como alguém se declara ao outro é não encontrar uma forma, no mínimo, delicada de se declarar.

Sim.
Temos que alumiar nossos laços! Chega de ficar empregando uma mesma palavra para todas as ocasiões.  Abandone palavras que desgastam as relações, reinvente-se!
           
Ao longo dos anos, empregamos tão mal, mas tal mal... que chegamos a banalizar o conceito da palavra amor. Ou pior, desaparecemos com seu significado em troca de ações violentas, incoerentes. Sim. Sem contar os seus usos indevidos. E você já deve ter ouvido por aí que a pior crise que o mundo enfrenta não é financeira, mas a de valores. Estamos carentes. Precisamos sim ... (re)significar o amor ao próximo, ao mundo.
 HUMANOS

Antes de se preocupar com o presente que ganhará, pense no presente que oferecerá. Um presente sem data de validade, mas com todas as garantias. Um presente que não sofra transformações, durante as estações do ano. Um presente para tremer no verão e arder no inverno. Um presente que seja mais forte que todas as crises, que brilhe no escuro de todas as inseguranças e seja luz para a vida de ambos.  Quer uma sugestão?

– Dê sua presença em todos os gestos, atos e afetos.

– E se alguém criticar?

– Seja exemplo. Ame-se! 
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