Um tal de trava-aula


Entre uma prova e outra, a semana exalava tensão: muitos na corrida, atrás dos pontos que foram passear e não voltaram; ali lutando contra a primeira recuperação do ano. “É cobrança dos pais, dos professores, dos próprios brothers. A vida desses meninos não tão fácil quanto a gente imagina”, disse-me um funcionário, no último sábado letivo. 
Os alunos, porém...
... relataram outras situações, ao longo do trimestre, que complicam um pouco mais esse quadro da inesquecível semana de provas.

– O lance tá durante a exposição da matéria, quando a aula está rolando - alertou-me um desesperado das Ciências Humanas (o coitado estava perigando em Sociologia e Filosofia, isso porque já havia desistido de Literatura)

– Mas o que está acontecendo? Nós, professores, não estamos explicando a matéria direito?

– Não. Não. Raramente, o problema é o teacher.

Por breves segundos, fiquei preocupado. Ponde aquele jovem queria chegar? Mas como era um tempo de informalidade, alguns dez minutos depois seria a aplicação das provas, deixei o grupo desenrolar as ideias:

– Tô de saco de cheio dos colegas que empatam a aula. Trava geral, entende?

– Entendo, mais ou menos. Como assim? Dê-me um exemplo, por favor – disse na inocência, na falta de noção do contexto caótico. Eles listaram algumas figuras verossímeis com as quais, querido leitor, você lida no cotidiano escolar:  

– O primeiro da lista é aquele mano que se acha o tal. Se deixar, ele dá aula no lugar do professor. Adora discordar do ponto de vista dos colegas que se destacam. Não sabe nunca a hora de parar de ser chato. Não dá moral pra ninguém. Ele é o centro das atenções. A aula empaca a partir do momento que o sujeito abre a boca. Conhece alguém assim? (Dizem que na facu tá lotado de gente assim)

– O professor cita o nome de um escritor como, por exemplo, sei lá ... Pedro Nava. A pessoa começa a ladainha: que o vizinho do tio, quando morava na Casa do Carvalho. Lá no distrito de Juiz Fora conviveu com o caseiro do médico que um dia, aposentado, começou a carreira de escritor. Nisso, os preciosos minutos da explicação do professor voaram. Coisa chata!  

– Ah, não posso esquecer daquela nossa colega que “paga de burra”.  

– Gente, o que significa isso?

– É aquele aluno que tem boas notas ou razoáveis, mas a vontade aparecer é demais. Então, ficam fingindo que não entenderam o conteúdo só para receberem a atenção dos professores. Só que esse tipo sem noção não saca que é egoísta. Não percebem que com essa palhaçada tá ferrando a maioria.   

Gente, agora chega.  Vai bater o sinal.

– Não, fessor, só o último tipo aqui: os colegas do lado ou da frente que não fecham a boca por um minuto. Esse o tipo mais comum de trava-aula.

– Concordo. Mas agora deixa o papo pra outro momento. Hora da prova.

Enquanto distribuía as avaliações, fiquei pensando: se os alunos listam os tipos de trava-aulas, imagine como caracterizam os professores.    


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