Ela deu em cima do meu crush...


            “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,  muda-se o ser...” assim compôs Luís Vaz de Camões, há aproximadamente cinco séculos, referindo-se aos desencontros presentes em nossas vidas. Célebre poeta português, você não imagina quanta coisa mudou de lá pra cá. E os jovens têm muito a nos dizer a respeito dessas transformações.
            Na infância (quantas primaveras já se passaram, meu Deus?!), ouvia das tias, primos mais velhos, vizinhas, uns papos assim:
            – Verinha está “paquerando” o filho do Seu Vicente. 
            – A Duda não namora ninguém sério. Só fica de “rolo” por aí. 
            Curiosamente, nas inesquecíveis aventuras da adolescência, ouvi também:
            – E aí, Nelsinho, quem você está “mordendo”?
            Depois, recordo-me de uma tia querer saber o que era esse tal de “ficar com alguém”. Até hoje ela acha essa palavra abominável. Um desrespeito. Mas fazer o quê? Essa minha tia gosta de expressões chiques como: “flertar”, “encantar-se”, em último caso, admite ouvir seus os mais novos dizerem: “... estou gostando de um menino aí”. 
        Pobre tia! Coitado do grande poeta! Como as coisas mudaram no que diz respeito ao universo das festas, dos rolos. Às vezes, fico imaginando ter que explicar expressões, como: “levar um toco”, “passar o rodo”, “o meu peguetti não estava no baile.”
     Querida titia, fiquei sabendo recentemente que o tal do “amor platônico” (tão discutido, vulgarizado, mal interpretado), inclusive explorado pelo poeta português, agora, tem outro nome. Falo sério.  E fiquei tão assustado com a descoberta que gastei todas essas linhas, tentando amenizar a situação. Posso contar como aconteceu?
            Estou contando....
            A Suzzy estava de papo com a Tiffany. Um tal de CRUSH era o centro das atenções.
            – Você acredita que aquela piriguetti deu em cima do meu CRUSH?
            Como estamos por fora dessas palavras, gente! Na minha época, CRUSH era o nome de um refrigerante de laranja; naquelas tardes dos anos 80, uma delícia!       
        Antes que você saia escrevendo sobre os nossos lances por aí, fessor, explico que CRUSH parece com amor platônico, entende?
        – Não – disse de modo sincero, mas ao mesmo tempo interessado em conhecer um pouco mais sobre o assunto. Nos últimos meses, como você sabe, venho garimpando expressões do universo jovem.
            – CRUSH é o nome que a gente dá para o alvo, um boy de quem estamos gostando, com vontade de “pegar”.    
            Daí a expressão “peguetti”, entenderam, pais e/ou responsáveis? Estão pensando que isso é tudo? Vocês estão enganados.
            – Uma garota pode ter mais de um CRUSH.
            – É mesmo?
           – Claro que pode, fessor. É a coisa mais normal do mundo. Eu, por exemplo, tenho uns três. Qual o problema?
            Nem precisei respondê-la. Ela retomou o assunto lá com a Tiffany sobre a tal garota que estava beirando seu CRUSH. Mais tarde, fiquei sabendo também que essa é uma expressão ligada ao mundo das meninas. Pegar um brother falando “meu crush” pode ter outra conotação, entendeu?
            Titia! Camões, até qualquer dia com outras expressões, enquanto isso vou levantando por aqui os “crushes” da mulherada. Adoro.  

            
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