Um tal de nude


Nas últimas semanas, venho discorrendo sobre expressões presentes no cotidiano; pronunciadas em contextos de informalidade, descontração e ofensa. Não são simples expressões, mas modos de tratar determinadas posturas.

– Putz! Do que você está falando? – perguntaria um leitor apressadinho.  

É que na semana passada, trocando ideias com a rapaziada na cantina, um sujeito... assim do nada me disparou uma pergunta, no mínimo curiosa:

– E aí, Alfredo, por que você não manda um nude ?

Na hora, desviei a conversa com aquele sorriso meio amarelo, de quem se pergunta bem lá no fundo: qual é a desse cara? Não rendi assunto. Percebi que o jovem não falou por maldade. E descobri mais tarde que a expressão “mandar um nude”, por incrível que pareça, é “até muito comum” no Brasil.

Como percebeu: mudei de parágrafo e coloquei entre aspas tal expressão, como também a afirmação de que é muito comum. Comum para quem? Refleti, li a respeito, voltei a conversar com os mesmos meninos daquela semana e com certa classe (até parece), rasguei o verbo:

– Charles, você tá maluco?

– O que tá pegando, Alfredo?

– É claro que eu nunca vou “mandar um nude”. Nem para você, nem para ninguém.

– Por que?

– E se o meu celular for roubado, minha conta nas redes sociais for invadida, se isso cair em mãos erradas? Tenho pena da decepção que será para ambas as partes. Você não acha?

A galera começou a rir bastante da minha posição. Eu quase comecei foi a chorar da situação. Aí, claro, aproveitei para contar a façanha de um grupo de estudantes (uns 100), nos Estados Unidos, que foram pegos “trocando nudes”. Os heróis chegavam a cobrar uma média de 80,00 por cada foto. Acredita?

Que loucura isso! Que vontade de aparecer, hein? Nesse caso, vale a voz dos especialistas: se está disposto a enviar “um nude”, disponha-se a ter suas intimidades reveladas em um outdoor, concorda? Não seria mais interessante colocar uma melancia na cabeça?

A conversa rendeu, pois pelo visto eu era o único dinossauro na roda: o que pensava contrário. 

Continuarei pensando; porém um brother insistiu na defesa:

– Você viu que o Justin Bieber “mandou um nude”? Aquela foto com o bumbum de fora.

– Bem, ele tem como recorrer. Tem assessores de imprensa. Pode usar isso como marketing. Estou falando de pessoas comuns como nós.

E quer saber?
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De repente, essa é a única novidade que ele tem para mostrar aos seus fãs.   


Crédito da imagem:  
Juan Joaquin Agrasot, 1871 - Nudez Museo de Bellas Artes de Valencia en su Historia , Valencia. Pintura
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