Estranho catálogo das misérias humanas



Nas últimas semanas, venho lendo e refletindo um pouco mais sobre o trabalho de Edgar Allan Poe, consagrado escritor norte-americano. E quero, neste texto, compartilhar parte da minha experiência. Por outro lado, vou avisando que não se trata de uma análise das narrativas, muito menos um apanhado da biografia do contista. Nada disso. Quero, pois, trocar figurinhas com meus leitores e, claro, com fãs de Edgar Allan Poe, certo?     

A pergunta que mais recebi nos últimos dias foi mais ou menos essa: onde está o terror nesse autor, professor? Talvez no ato da leitura, no jogo imbricado e irônico que o narrador-personagem busca estabelecer conosco, pobres leitores. É o que podemos perceber nas repetições na fala daquele responsável pelo tum-tum-tum do “Coração do Delator”. Talvez, no discurso frio e perturbador daquele sujeito que se envolveu com “O Gato Preto”. Ou ainda, quem sabe, no sonambulismo aterrorizante de Egeu que encontrou nos lindos dentes de “Berenice” o reflexo do seu vazio.  


O mesmo vazio que morava em um dos olhos de Plutão. Ou seria a ausência de razão nos atos do seu bêbado dono? O vazio do olho de abutre, maligno; o vazio daquele velho cruelmente assassinado na oitava noite por uma pessoa de pensamento vazio.  
        
Aos poucos, no virar das páginas, Edgar Allan Poe vai nos enchendo de vazios, mistérios e medo. Como assim? “Ser enterrado vivo é, sem dúvida alguma, o mais terrível dos extremos que já incidiram à fortuna da mera mortalidade”. Nesse cenário de “Enterro prematuro”, percebemos o quanto somos frágeis, diante da “frialdade inorgânica da terra”.  
Os personagens dessa obra lançam uma “teia de penumbra” em nossas imagens, antes, nítidas. Penumbra que, paradoxalmente, ilumina as fronteiras entre vida/morte, silêncio/ruído, pecado/perdão.  

Nessa pequena imersão no universo de Edgar Allan Poe, constata-se que “a miséria é múltipla e a desgraça do mundo, multiforme.”


Bem, não quero mais roubar seu precioso tempo, discorrendo sobre a obra do contista. Nada disso! Quero que você faça suas leituras, seus percursos. E, para isso, deixo algumas pistas:
ü  Onde se encontra o narrador-personagem? De onde ele fala?
ü  Em quais condições eles se encontram?
ü  Quais imagens a ação dos protagonistas deixam entrever? O que elas apontam?
ü  De que modo os contos são narrados?
ü  O espaço é elemento importante na atmosfera do conto?

Entre um porão e outro, espero encontrá-lo(a) para um diálogo sobre esse “estranho catálogo das misérias humanas”.
Boa leitura! 
Crédito das imagens deste texto: Edições BesouroBox
Prefácio: Caio Riter
Tradução: Jorge Ritter
Preço do livro: 38,00

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