Monólogo de peixe


Para Gielton Lima

Sou a favor de desdizer o óbvio.

Reconheço a necessidade de tirar as palavras do seu estado de rotina; mas o que alguns peixes ainda não descobriram é que as palavras nos ensinam a desdizê-las, a reinventá-las, a acrescentar-lhes pétalas.

Com as palavras, retiramos espinhos e, às vezes, alcançamos o perfume que há no caminho do jardim. É preciso conceber a pequena sombra da roseira.

Mas é que não posso mais mover as barbatanas contra a rede que apreende, surpreende a pouca vida que me resta. Um resto que se faz chama nessa prisão. Só que os tubarões não sabem que um “fio de luz no escuro é claro”. 
Nós sabemos. 
Bora... reforçar as nadadeiras?!
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