Fim de semana com o Zuenir

Sei que os fãs de carteirinha ficarão com ciúmes, mas é que tive a oportunidade de passar um final de semana inteirinho com ele. Foi antes do café do amanhã, depois do almoço. No começo e na final da tarde. Toda hora que alguém me procurava, estava lá grudado em suas páginas.

– Por que você está rindo sozinho? – quis saber um companheiro de viagem.

– Quem disse que estou só? Estou nas páginas muito bem humoradas do Zuenir Ventura.

Com a seleção de Marisa Lajolo, os textos que compõem esse livro do mineiro Zuenir Ventura são sensacionais. Mais do que crônicas para se ler na escola, são narrativas para se lê em quaisquer lugares.

No texto que abre essa obra, “As dores do parto”, o jornalista fala que “só escreve porque não sabe fazer outra coisa”. Mais è frente, acrescenta que escreve porque é obrigado, “escreve para sobreviver.” Que alegria a nossa ter um monte de editores para lhe obrigarem a escreveu, meu caro!

Digo assim “caro”, mesmo sem conhecê-lo. ( Claro que seria muito bom um dia poder conhecer o Zuenir, uma aventura e tanto) Mas voltando ao que interessa, refiro-me ao escritor com certa intimidade, porque é isso que os seus textos despertam em nós, leitores privilegiados: próximos, íntimos.

Tem como não se emocionar com a carta “Recado de Primavera”, direcionada a Rubem Braga, um dos maiores cronistas do nosso País? E a entrevista que ele fez com o Drummond no ano de 1977? Caro leitor, você acha que o Zuenir tem alguma semelhança com o Ziraldo, autor do clássico  “Menino Maluquinho”? Pois é, fique sabendo que algumas pessoas já confundiram o escritor...


Pulando das semelhanças (ou não), não posso terminar este texto, sem deixar de registrar as muitas lições presentes na crônica “Preguiça de sofrer”. Nela você vai receber com alegria e satisfação “As meninas do Zuenir”. Ficou interessado? Não perca tempo, providencie a compra ou o empréstimo dessa maravilhosa obra o quanto antes. 
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