Ábaco

O espaço do bolso
não é para ser  tão grave
mas como abrir a porta
quando não se tem a chave

o buraco do bolso
não é para ser tão fundo
é preciso fé ao buscar o níquel
e só achar o pé

o tamanho do bolso
é para ser imenso
mais que matéria e ouro
guardar um sonho intenso

o que se guarda no bolso
não é meio nem fim
é número como relógio

sem início sem fim

DINIZ, João. Ábaco. Belo Horizonte: Asa de Papel, 2011. 
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