A Paciência e seus limites

Adélia Prado*

Dá a entender que me ama,
mas não se declara.
Fica mastigando grama,
rodando no dedo sua penca de chaves,
como qualquer bobo.
Não me engana a desculpa amarela:
‘Quero discutir minha lírica com você’.
Que enfado! Desembucha, homem,
tenho outro pretendente
e mais vale para mim vê-lo cuspir no rio
que esse seu verso doente.

PRADO, Adélia. Misere. Rio de Janeiro: Record, 2014. 

*Crédito da imagem: http://homoliteratus.com/
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