Sobre o ato de escrever

O lance de inspiração é meio duvidoso. Às vezes, mando aqui uns textos para lá de simples. Depois de algumas horas, alguém comenta cada coisa lá nas redes sociais: "Puxa! Você estava inspirado, hein?!" Realmente, fico sem graça. Até mesmo sem jeito. 

O que penso de tudo isso, leitor? É que, de vez em quando, a gente acerta. Aliás, erra. Escrever é fruto de muito trabalho. Quando se pensa que está uma maravilha, é tempo de deletar tudo. Quem se mete com a escrita tem que estar disposto a jogar muita coisa no lixo. 

João Cabral de Melo Neto disse, metaforicamente, que escrever é como catar feijão. Pense no processo. Drummond disse que lutar com palavras é mesmo uma luta vã. Será por quê? Graciliano Ramos, célebre autor de Vidas Secas, compara a escrita com o trabalho das lavadeiras lá de Alagoas.Lavar roupa na beira do rio. Torce, torce, aprimora, incorpora e com demora vamos embora. 
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