Guimarães Rosa: espelhos

Você já leu um conto do Guimarães Rosa, intitulado “O espelho”? Essa narrativa é da obra “Primeiras estórias”, publicada no ano de 1962. Dos 52 anos que se passaram, os textos que compõem esse clássico da nossa literatura continuam muito autuais: A terceira margem do rio, A menina de lá, A benfazeja, Sorôco, sua mãe, sua filha; entre tantos outros eternizaram a tessitura dos contos roseanos.

Voltando ao conto “O espelho”, digo-lhe: se ainda não leu, você não sabe o que está perdendo. Com cuidado, aviso que essa narrativa possui lá certo grau de dificuldade (comumente encontrado nos bons textos literários).

Primeiro, a linguagem é bastante formal. Soma-se a esse aspecto o fato de essa narrativa dialogar com os campos da Física, da Psicanálise e com a Filosofia. Segundo, o tema está diretamente relacionado à busca da identidade. Terceiro, o que parece, num primeiro momento uma exposição de tese, explanação de um raciocínio lógico, é sem dúvida uma excelente aula sobre a incompletude do nosso ser.

— Você conhece todos os tipos de espelho? Plano, côncavo, convexo?  

Não me responda ainda. Imagine a seguinte descrição: um homem, após ver o reflexo da sua monstruosa face, resolve procurar o seu verdadeiro eu. Para isso, ele passa meses, diante do espelho, tentando encontrar-se...até que um dia, de tanto olhar, ele...


(Ficou curioso? Então, vá ler na íntegra essa magnífica história. Se leu, pode relê-la, pois os espelhos mentais ficarão por demais satisfeitos. O conto está disponível na internet) 
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