Epigrama n.º9

Epigrama é uma composição poética, geralmente de curta dimensão. Esse pequeno poema termina com um pensamento engenhoso ou crítico.
Na literatura brasileira, Cecília Meireles destaca-se na tessitura desses pequenos poemas. Para conhecer um pouco mais sobre esse assunto, escolhi o “Epigrama nº 9”:


O vento voa,
a noite toda se atordoa,
a folha cai

Haverá mesmo algum pensamento
sobre essa noite? Sobre esse vento?
sobre essa folha que se vai?

MEIRELES, C. Melhores poemas. Seleção de Maria Fernanda – 14 ed. São Paulo: Global, 2002. p.21.

 Há muita arte nessas duas pequenas estrofes. Na primeira, as imagens do vento, da noite e da folha tecem uma rica gradação poética. Em “o vento voa”, deparamos com um pleonasmo estilístico, “a noite toda se atordoa” o embalo de uma personificação que encontra sereno e ritmo profundo na “folha” que “cai”.
Esses mesmo elementos, efêmeros e diversos, são retomados na estrofe seguinte, porém no tom das indagações. E, aí, claro, a gente pergunta: há uma resposta para os três questionamentos da voz poética?

A resposta é afirmativa, pois mais do que “algum pensamento”, Cecília Meireles transformou a ausência de resposta em uma equilibrada resposta. Como assim? Ela simplesmente escreveu um poema. Eis a arte do epigrama!

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