Pondo Piglia

Nada de diálogos com as sucessivas zoadas dos pernilongos das últimas noites. Bichinho chato! O lance é outro. Esses diálogos que acontecem por acaso (se é que o acaso existe).

No final da tarde de ontem, ali na área de serviço, li um ensaio do Ricardo Piglia sobre a imagem do leitor, apresentando já, em seu título, a seguinte questão: “O que é um leitor?” 

Desse ensaio, destaco um trecho em que, baseando-se em Jorge Luís Borges, o teórico afirma que “a leitura é ao mesmo tempo a construção de um universo e um refúgio diante da hostilidade do mundo”.

Acaso ou não, reli nessa manhã de segunda-feira, a belíssima obra “Nem eu nem outro”, da psicóloga Suzana Montoro. 

A obra narra as dificuldades do garoto Maximiliano em se encontrar, após o mesmo sofrer um trauma. Depois desse acidente vascular cerebral, emerge no protagonista outra identidade, no caso, a de Max, o Magnífico.  

Entre os labirintos propostos por Piglia e o relato introspectivo do Maximiliano, construí meu universo interpretativo, também minhas preferências. Não sei porque, mas as ideias desse autor argentino somadas às perguntas sem respostas do Magnífico iluminaram a primavera ofuscada da minha manhã de segunda-feira.
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