Desligue este moleque.

“Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui.” Não venha me perguntar de qual livro de Clarice Lispector retirei esta frase. A verdade é que não sei mesmo.

Mas sei que ela ilustra perfeitamente um dos meus graves problemas. Desde moleque, sou muito tagarela. Como não nasci com um botãozinho para desligar, vou passar a escrever mais, evitando, assim, falar demasiadamente.
Na verdade, preciso ouvir mais as pessoas que estão ao meu lado, escutar a dor que o outro traz no bolso. Perdoe-me, amigo, se algum dia, cortei-lhe seu assunto, sua história, novidades e detalhes.

A partir deste momento quero que a faca da minha fala seja cega como a força silenciosa daquele moço, o Tião Baio. 
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