A pedra em cima do banco

Daqui a pouco passa, menino, já acostumamos com a fome, não acha? Pai, pai! O moleque viu o que não podia, olhei com ele de novo... dois pacotes olhavam pra gente, um transparente, fechadinho e também suado, molhadinho, cheio de vapor, o outro de papel, estufado, danado cheio de gosto, num dava pra vê o que era, na certa coisa boa. Pai, o que custa esses pãezinhos a um homem com carrão desses? Nada, não custa nada a gente quebrar a próxima esquina e pedir uns trocados no próximo sinal como a gente sempre fez, larga de ser bobo, mexer com a comida dos outros, menino. Mas, eu tô com muita fome, cego de vontade de tacar a mão nesse pacote e comer gostoso. Pra que essa pedra na mão? Não, nem pense nisso. Quem tá com fome não pensa ... age. A pedra caiu em cima do banco, o alarme disparou, o menino tentou correr, sem força eu tentei, cambaleando, seguir ele, mas aí o sinhô chegou e pegou a gente com boca na botija num entrega a gente pros polícias não tamu com fome o menino perdeu cabeça num aguentou de tanta falta de um unguento no estômago pai? o moço vai agredir o sinhô o sinhô não disse nada acompanhou o pai e o desespero do seu menino em fome, pegou o saco suado com pães e entregou aos moradores de rua, “aqui uns trocados para vocês comerem direito, não se preocupe com o vidro”. Em lágrimas, pai e filho, não precisariam manguear pelos próximos 7 dias...                   
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