E agora, José?


Ler um poema nem sempre é compreendê-lo, estudá-lo, mas sentir a poesia que há ao longo dos seus versos. Alberto Caeiro muito bem nos ensinou essa lição. Às vezes, gastamos muito tempo, tentando compreender uma obra de arte, sendo que na verdade, o que ela nos pede é um pouco de nossas sensações e nada mais.    

Primeiro, realizei uma leitura simples do poema “E a agora, José?”, de Carlos Drummond de Andrade. Um tom de humor, ironia. Talvez, uma sensação alegre. Depois, evoquei o mestre Paulo Autran. Ouvimos este magnífico artista interpretar os mesmos versos. Ainda era pouco.

Deitados no chão do cotidiano, encostados no piso frio da sala de aula, olhando para o teto, ouvimos “E agora, José”, na voz do grande ator. Centenas de imagens atravessaram nossas mentes naquele pequeno instante de êxtase.

O quanto somos inferiores, restos, seres — materialmente — desprezíveis, atormentados pelos anjos maléficos da História, pequenos, miúdos, diante da máquina do tempo. Ah, meu Deus, como todos nós somos José, em vários momentos da vida! Quantas vezes, recebemos estímulos para correr; para onde?

Na tentativa de encontrar respostas, ouça o célebre poema de Drummond, assim como os alunos do 3.º JV, depois a gente troca um dedo de prosa sobre as pétalas da rosa que é a vida com os seus espinhos, nos caminhos de todas as pedras. Evoé, Drummond! Evoé, Paulo Autran! 





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