Dante Dalí


No final da tarde de ontem, à exposição “Dalí: A Divina Comédia” que reúne 100 gravuras do mestre do surrealismo, Salvador Dalí, inspiradas em uma das maiores obras da literatura mundial, a “Divina Comédia” do poeta Dante Alighieri.

Nos meus desconfiáveis cálculos, Dante levou 14 anos para escrever sua epopeia. Dalí gastou aproximadamente uns 10 para ilustrar o clássico italiano. Agora, ter que visitar a exposição em menos de 2 horas é um pecado. A vontade era de ficar lá, procurando morada nos detalhes, questionando as sombras do Purgatório, dançando uma valsa com Beatriz atrás das cores do Paraíso; pois uma viagem que começa no Inferno é no mínimo delirante, concorda?



Não é preciso responder. Vá depressa à Academia Mineira de Letras percorrer os três mundos contemplados por Dante, ilustrados por Dalí. E lá você verá, meu amigo, que “o inferno é um cone invertido”. É desse universo que vem “aquele que lhe nega a cidade da dor”.  Não adianta perguntar “quem acolhe o eco dos infinitos ais”, pois o método utilizado pelo pintor foi batizado por “hiper estético paranoico-crítico”.

Vá se perder nas 34 imagens do Inferno; encontrar-se nos 33 quadros do Purgatório para assim, quem, sabe, deliciar-se com as 33 pinturas do Paraíso. Mas, oh, não se esqueça de olhar para as “gavetas abertas cheias de vazio”. Nove céus. 

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