Brilha no escuro

Wislawa Szymborska
No início desta tarde, recebi de presente da poetisa Amanda Ribeiro Barbosa o livro que ilustra este post. Eu nunca me imaginei lendo um livro de poemas da Polônia. Também nunca tinha ouvido falar da escritora Wislawa Szymborska. 

Com esse belo presente, Amanda encenou o que eu eu chamo "de ser bem apresentado à literatura". Não interessa o país, muito menos o gênero literário, mas o encanto, a paixão com que a gente fala dos livros. Senti-me com uma criança diante desta capa que traz o mistério da fumaça em espasmo e o olhar da própria poetisa no sei onde. E um café ali esperando para ser degustado.

Minha querida amiga, antes você estava preocupada se eu iria gostar do presente. Lembro-me de que  você se referiu à expressão "tiro no escuro". Fique tranquila. Agora, posso lhe dizer que há livros que brilham. E esse brilhou a sombra da minha tarde. Muito obrigado mesmo.

Aos caros leitores, em breve, quero discorrer um pouco mais sobre os textos que compõem essa obra. Enquanto isso, transcrevo a seguir o poema indicado pela Amanda, tão oportuno nesses labirintos de guerra:

                                                          Vietnã

Mulher, como você se chama? – Não sei.

Quando você nasceu, de onde você vem? – Nao sei.

Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.

Desde quanto está aqui escondida? – Não sei.

Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.

Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.

De que lado você está? – Não sei.

É a guerra, você tem que escolher. – Não sei.

Esses são teus filhos? – São.



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