A cabeça do santo


Desculpe-me por colocá-lo em contato com a tinta das minhas últimas descobertas literárias. Prometo-lhe que vou ficar um tempo sem lhe escrever sobre livros. O lance é que, no último fim de semana, tive o privilégio de ler três obras fantásticas. Ontem, indiquei o livro em homenagem ao Clube da Esquina; amanhã não será sobre nenhum romance, ok?Mas hoje... Hoje quero tecer uns poucos comentários sobre o romance abaixo. Li-o em dois dias.
Trata-se de uma narrativa ágil, com capítulos curtos e muito bem escritos. A obra é dividida em quatro partes e pode ser lida como um mix de elementos da cultura nordestina, relâmpagos da oralidade presentes nas literaturas de língua portuguesa, sem contar, é claro, a grande pitada de influência da literatura fantástica. Segundo a escritora Socorro Aciolli, “as primeiras ideias deste romance foram escritas em 2006 para a oficina de criação e roteiro “Como contar um conto” ,ministrada por Gabriel García Márquez na Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, entre 2 e 5 de dezembro”.

Isso mesmo, meus caros, li o romance de uma cearense que teve a aprovação e o incentivo do autor de Cem anos de solidão. Em respeito ao seu tempo e também ao espaço, vou transcrever apenas a sinopse da obra.

“Sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel empreende uma viagem a pé para encontrar o pai que nunca conheceu. Ele vai contrariado, apenas para cumprir o último pedido que a mãe lhe fez antes de morrer. Quando chega à cidade quase fantasma de Candeia, encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Coisas extraordinárias começam a acontecer depois que Samuel descobre ter o dom de ouvir as preces e os segredos do coração das mulheres das redondezas, que não param de reverberar dentro da cabeça do santo.
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