Moço, que sufoco!

Era o fim da tarde. A chuva caía serena e constante. Ela anotava várias imagens na caderneta da mãe. Desenhava cenários, tecia diversos comentários, em voz alta:
“Aí, o moço sai correndo do monstro, passa na porta da sala....depois...”
“Conte-me, minha querida. O que acontece?”
“O moço vai correndo, correndo, doidão....Ela passa pelo caminho rosa e chega lá na Rabisqueira. E...”
“Minha filha, o que é uma Rabisqueira?”
“Ih, pai, ocê num sabe o que é uma Rabisqueira? É um lugar onde fica um tantão assim de muitas e muitas crianças com lápis de cor, canetinha de todas as cores....fica rabiscando assim, ó!”
“E por que o moço vai parar logo nesse lugar?”
“Lá ele, bem, como posso explicar? Ele vai rabiscar, uai....desenhar um tantão de coisa...vai até esquecer que estava se escondendo.”
“E o monstro, minha filha?  É perigoso. Ele é maior do que as crianças. O monstro vai encontrar o moço e...”
“Não vai acontecer. O monstro nunca vai lá na Rabisqueira, pai. Ele morre de medo das  crianças que são artistas, entende?”
E lá fora, a chuva continua serena e constante...

Imagem disponível em: <http://lucianodeszo.files.wordpress.com/2010/05/12052010851.jpg>


  
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