Sarau: anjo de banjo

Judith - Caravaggio
Entre um sarau e outro, tenho sonhos poéticos. Antes do penúltimo evento, por exemplo, sonhei com um Anjo tocando banjo.  Ele parecia com a Judith, de Caravaggio.
Ao me ver tocado contente, animado para o recital, ele foi logo perguntando:
— Farelo, escrever é, assim, maravilhoso?
— É, senhor Anjo. Também é um pouco dificultoso.
Ele dedilhou mais duas notas, guardou o instrumento e foi se embora. Cascou na caatinga. Sumiu.
A continuação da minha exposição ao silêncio do Anjo de banjo que se foi, compartilho com vocês nessa proesia:

— Escrever é mesmo um desafio. Escrevo para não perder a chama, para encontrar o fio , o fiasco, a migalha, um farelo que seja, só que de alegria no complexo do cotidiano. Por isso mesmo, trato meus brothers como Galera do Complexo. Entre esses riscos e limites e aflições e curvas e declínios e caos, a poesia. Viva a poesia viva! Viva! 
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