Entrevista com Adelson Tambores Gerais

Adelson Tambores Gerais
Na semana passada, ao falar do hábito familiar dos meus irmãos mais velhos, o de desenvolver algumas atividades ouvindo música, falei um pouco do Adelson. Ele possui uma vida dedicada à música, em especial, à confecção de instrumentos musicais. Alguns brothers me perguntaram sobre o trabalho do luthier. Outros se interessaram pelo instrumento denominado kalimba. Galera do Complexo, o lance é o seguinte: fui até ao ateliê do mano e troquei umas ideias sobre esse importante universo da música. Confira um pouco do que rolou desse bate-papo...Salve! Salve! Com vocês, Adelson Tambores Gerais.

FQ: Caro Adelson, já em seu sobrenome a presença dos tambores, esses importantes instrumentos de percussão. Como surgiu a ideia de confeccionar instrumentos musicais? Você começou pelos tambores?

Tambor confeccionado por Adelson
ADELSON TAMBORES GERAIS: Bem, comecei mesmo com a caixa de folia, um estilo de tambor usado no congado. Pois ganhei de presente um desses instrumentos da minha esposa. Na verdade, já havia um interesse desde minha infância. Nosso pai era marceneiro e possuía também uma grande sensibilidade musical. Ganhar uma caixa de folia de presente foi um start para entrar nesse universo.

FQ: A partir de que momento você se interessou pelo universo da percussão?

ADELSON TAMBORES GERAIS: Ao perceber que em Belo Horizonte havia a valorização de ritmos regionais, como o congado, a folia de reis, o maracatu, senti que poderia contribuir de algum modo para a manutenção desses ritmos tão importantes para a cultura brasileira. Nesse sentido, investi em pesquisas, viagens ao Nordeste, ficando mais por dentro dos instrumentos.   

FQ: Conte-nos um pouco do primeiro tambor que você confeccionou. A partir desse foi que você decidiu assumir a carreira de luthier?

ADELSON TAMBORES GERAIS: Veja bem, encantado com o designer, as amarrações que trazem os tambores regionais, como caixa de folia e as alfaias de maracatu, decidi começar por um protótipo de material reciclado. Nessa ocasião, ainda morava em um apartamento. Logo em seguida, construí o primeiro tambor, com muita dificuldade, num espaço restrito, em função do barulho, mesmo assim confeccionei dezenas desse instrumento, o que possibilitou a participar de eventos como o FAN, Festival de Arte Negra de Belo Horizonte. A partir desse e outros eventos, conseguir chegar a músicos importantes e profundos conhecedores da arte regional. Depois, morando num espaço mais amplo, assumi de vez a carreira de luthier.

FQ:  Quais outros instrumentos você confecciona, além do tambor?

Kalimba
ADELSON TAMBORES GERAIS: Caixa de folia, pandeiro, alfaia tarol,  zabumba, cajon  e kalimba.

FQ: Desses instrumentos musicais, gostaria que falasse um pouco da kalimba. 

ADELSON TAMBORES GERAIS: trata-se de um instrumento de origem africana, com o corpo de madeira ou cabaça. Os africanos utilizavam esse instrumento nas longas caminhadas, dedilhando-os com o intuito de aliviar o cansaço.

FQ:  Qual desses instrumentos você mais tem confeccionado? Gostaria que falasse um pouco sobre o percurso desse instrumento no Brasil e no exterior.

Pandeiro

ADELSON TAMBORES GERAIS: O instrumento que mais confecciono, no momento, é o pandeiro. Trata-se de um instrumento muito popular e se identifica bastante com o povo brasileiro. Não há quem não se encante com o som do pandeiro, tocado no samba, no coco, baião, forró e maxixe. De uns tempos pra cá, o pandeiro vem assumindo um lugar de destaque nas bandas, inclusive, em estilos como o jazz. Orgulhosamente, já confeccionei pandeiros e tambores para países como Estados Unidos, França e Itália.





FQ: Aos interessados em contratar seus serviços, gostaria que deixasse seus contatos.

Telefones: (31) 9745-2371 / (31) 3461-3768

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