O trapézio azul

Hans Jonas 

Fico muito contente com o fato de meus curtos textos suscitarem reflexões em outras áreas do conhecimento, em especial, o campo da Filosofia. Com essas crônicas, estou entrando em contato com as obras de importantes filósofos, entre eles, Emmanuel Levinas e Hans Jonas.
Neste texto, pretendo compartilhar apenas uma imagem proposta por esse segundo intelectual. A ideia é simples, mas me trouxe muitas migalhas.
O esfarelar dos atos começou com um trecho da obra “O princípio responsabilidade”, já citado em outra postagem, que me foi enviado pelo pesquisador José Carlos Moreira:

 "A obra de arte existe somente para o homem, por sua causa e enquanto ele exista. A maior das obras de arte se tornaria um pedaço mudo de matéria em um mundo sem homens. De outro lado, sem a obra de arte o mundo habitado por homens se torna um mundo menos humano, e a vida dos seus habitantes seria mais carente de humanidade. Assim, a criação da obra de arte faz parte do agir humano constituinte do mundo; e a sua presença é parte do patrimônio do mundo instituído pelos homens, o único onde os homens podem encontrar abrigo". (JONAS, Hans. O princípio responsabilidade. 2006, p. 178)

Em síntese atrevida, compreendi que Hans Jonas propõe que a arte é uma espécie de abrigo. Durante muitos dias, essa ideia me confortou e com base nesse conceito, proponho outra(s) imagem(s), de modo metafórico, é claro: a vida é um entrecruzar de trajetórias, de possibilidades e caminhos. Nesse sentido, viver é estar dentro de um labirinto.
Diante disso, algum leitor pode questionar: “e o que a arte tem a ver com isso?” Responderei assim: a arte ilumina esse labirinto que é a vida, permitindo-nos reconhecer o quanto somos (in)completos. 
Farelos por aí...  .
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