Cartas debaixo da porta

Historicamente, as correspondências são lançadas debaixo da porta. Lembro-me das vezes que o síndico do prédio onde morava, pegava as cartas na recepção e jogava-as debaixo da porta dos apartamentos.  
Na última sexta-feira, depois de uma manhã extasiante, abri a porta da sala onde trabalho no Colégio e duas cartas diante dos meus próximos passos. Não eram pedidos, cobranças e nem críticas. Eram presentes em forma de palavra.

Cartas de pessoas e assuntos diferentes, mas com o mesmo objetivo: compartilhar o sabor da leitura de um texto. O primeiro veio de uma amiga. Trata-se de uma entrevista que a poetisa Adélia Prado concedeu à revista “Bons fluídos”, na ocasião do lançamento do seu último livro. A escritora enaltece a grandeza das pequenas coisas de forma lúcida e poética. Vale a pena conferir.

A outra carta é a redação de uma garota de 08 anos, publicada num jornal de Florianópolis. Ela escreveu uma maravilhosa definição de avó. A seguir, transcrevo um trecho desse presente que recebi.

“Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
...
 As avós não têm nada para fazer, a não ser estarem ali. 

Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam nas flores bonitas e nem nas lagartas. Nunca dizem: Some daqui!, Vai dormir!, Agora não!, Vai pro quarto pensar! Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem abotoar os nossos sapatos.”

Essas cartas debaixo da porta me encheram de alegria.

Tenha uma ótima semana! 

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