Capítulo 1

Estradas para alcançar os relatos. A minha lida tem sido enfrentar caminhos diversos até chegar às histórias.


Não sei muito sobre a moradora da Serra da Penugem. Seu nome é, deixe-me ler aqui, Natalina Ferreira.

— Mas já vou avisando: ela não gosta de ser chamada assim!

Falou o rapaz que me acompanhava. É um morador do local, muito educado. Foi me buscar no ponto de ônibus, no horário combinado. Continuou orientando:

— Ela tem problemas com o nome de registro. Gosta de ser chamada de Natal dos Ferros.

— Mas parece estranho.

— A senhora vá com cuidado. Chame-a de Natal, no máximo de Dona Natal, viu?

— Mais alguma orientação,....como é mesmo o seu nome?

— Não posso dizer. Ela não gosta que a gente se apresenta para o pessoal da cidade.

— Essa Dona Natal dos Ferros é mesmo fogo, hein?

— A senhora não viu nada. Ainda não ouviu nada. E pode ficar sem entender nada.

— Ih, está danado...

— Fale pouco, dona. Utilize poucas palavras. Ela já expulsou muitos jornalistas daqui. Não suporta muitas indagações. Gosta de ver a gente fervendo em silêncio.

Eu começava a me preocupar com a situação. Um pouco de medo. O que a senhora Natal dos Ferros tinha para contar para uma desconhecida? Será que queria apenas o meu silêncio?

Não demorou muito e chegamos à casa da Dona. Ela estava na janela da cozinha, sozinha, a nossa espera.

Natal dos Ferros me olhou de um jeito assim... 

[Não perca o próximo capítulo] 
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