A menina que queria conhecer o céu

Para Henrique Alcântara Nogueira 

Final de tarde nos leves ventos de outono. O tio mais velho escuta André Rieu e repete os gestos do violonista para as borboletas que passeiam no pequeno jardim. A mãe tece flores nos vestidos do tempo, enquanto o pai mergulha nas paredes da História inglória dos frascos atirados ao lixo da pós-modernidade.
A vida é a volta que vira, gira diante dos pés da criança que dança na esperança de não ter que entender nada, preocupar-se com o nada que abastece o mundo das ilusões, piões nas mãos do Criador. Ela chega para o pai, que está preocupado com os números da bolsa, e economiza:
- Onde Deus mora?
- No céu, minha querida.
- E onde é o céu?
- Longe. Bem longe.
- Não tem problema.
- Onde fica?
- Num lugar bem alto. Aliás, muito alto.
- Então vamos comprar um foguete para ir ao céu?
Nesse momento, todos pausaram suas atividades e foram dar atenção para a criança que queria conhecer o céu.

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