A Antônia me ligou


Penso que todo mundo gosta de ser bem tratado, atendido de modo educado. Em se tratando de uma compra, o bom atendimento faz toda diferença, não é mesmo?

Na hora do almoço, em prosa com as profissionais da zeladoria, descobri um pouco sobre o universo dos vendedores que trabalham no centro da cidade. Em outros lugares também. Acredito.

Uma delas, relatando que trabalhou mais 10 anos numa loja próxima à rodoviária, descreveu que havia um código para cada tipo de situação: da venda que queriam fechar até ao ato de simplesmente ignorar o cliente, como comumente ocorre.  

Aumenta-se o tom da voz, assim que o cliente chega ao estabelecimento e trava diálogo com o restante dos vendedores:

— “Marquinho está querendo ir ao cinema hoje”. Fala destinada àquela pessoa que é lero-lero, que só está olhando o produto e, possivelmente, não vai comprar nada. Assim como o Marquinho que só está querendo ir ao cinema, mas nunca vai.

— “A Tereza vai passar lá em casa mais tarde”. Refere-se à cliente sem nenhuma condição financeira, uma qualquer que não se preocupa nem com a higiene pessoal. Tereza era uma coitada nesses lances de enganar os outros.

A malandragem está por toda parte. 

Imagem disponível em: <www.inteligemcia.com.br>
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