Entrevista com Pierre André

Abrindo 2014, aqui no Farelo 7, é com muita alegria e satisfação que converso um pouco com artista Pierre André. Eu o conheci na Praça Santa Teresa, em Belo Horizonte, como contador de histórias.Com o tempo, descobri que ele desenvolve um monte de atividades no campo das artes.


Pierre André na Praça Sana Teresa. Belo Horizonte. 
FQ: Pierre André, além de contador de histórias, ator, escritor, quais outras atividades artísticas você desenvolve atualmente?

PIERRE ANDRÉ: Bem, profissionalmente é isso aí mesmo. Ainda dentro dessa área, sou também palhaço. Agora, a pedido de uma empresa aqui da grande BH, e devido também a diversos pedidos de professores e outros interessados, estou desenvolvendo uma oficina de contação de histórias.

FQ: Sobre a arte de contar de histórias, o que você considera que é mais trabalhoso? Como é lidar com um público diversificado (crianças, adolescentes e adultos)?

PIERRE ANDRÉ: Pra falar a verdade não sei se seria trabalhoso, mas o que requer um pouco mais de atenção e cuidado, pra mim, é o público adolescente. O que já entra também na segunda parte da pergunta, do público diversificado. Eu sou um contador de histórias fascinado pela literatura infantil, tanto que nas minhas contações, as histórias infantis tomam conta praticamente quase todo meu repertório. Quando trabalho com “adolescentes” e adultos, o que muda mesmo é minha forma de contar e lidar com o público a qual me refiro sempre como crianças. Crianças pequenas, médias e grandes.


FQ: Da sua trajetória de contador de histórias, gostaria que contasse aqui para os seguidores do blog um episódio marcante, curioso, na sua relação com o público. 

PIERRE ANDRÉ: São tantos, mas posso dizer que o mais importante foi o que, talvez, tenha sido aquele que confirmou meu caminho na contação de histórias: Eu já trabalhava com teatro há algum tempo, até que me veio a “curiosidade”, de como seria contar histórias, até então eu sequer imaginava que um dia iria contar histórias, profissionalmente. Foi quando, em 1997, vi um anúncio sobre um concurso de contadores de histórias da Biblioteca Pública Infantil de Juvenil de BH. Inscrevi-me com a intenção de conhecer como era aquele mundo da contação de histórias. Resultou que “o júri errou ao dar o resultado”, e eu fiquei em primeiro lugar naquele concurso. (Risos) Brincadeira à parte, eu fui de fato o vencedor, na categoria texto para adultos.Mas em relação diretamente com o público... há pouco tempo estava fazendo uma contação de histórias em uma festa infantil, ao final da apresentação, contando minha história de despedida. Um garotinho, ajoelhado no chão, abraçou minha perna. Com isso, todas as outras crianças fizeram o mesmo. Resultado, a emoção tomou conta de mim, que não consegui terminar a história. As crianças foram saindo aos poucos, menos aquele primeiro garotinho, que não queria soltar minhas pernas. Só não o levei pra casa, devido à recusa dos pais, que não concordaram em me deixar levá-lo. (Risos)

FQ: Tive o privilégio de conhecê-lo em uma das edições do “Santa Leitura: uma biblioteca a céu aberto”. Desde quando você participa desse projeto? Como você avalia esse tipo de iniciativa?

PIERRE ANDRÉ: Comecei a participar do projeto a convite do Paulo Fernandes, substituindo-o, pois ele não poderia ir naquele determinado dia que, se não me falha a memória, foi dia 6 de outubro de 2013. E esse projeto, para mim, embora seja suspeito para falar, é fantástico, não só por levar os livros até às pessoas, como, por levar também, as histórias narradas. As pessoas além de ler, ouvir as histórias, despertam-se para esse fabuloso mundo mágico da literatura.

FQ: Por falar em iniciativas no relacionadas à leitura, você também acredita que a contação de histórias pode levar ao hábito da leitura?

PIERRE ANDRÉ: Com certeza. Eu vejo isso na maioria das contações de histórias que faço. Eu trabalho em alguns projetos de contação de histórias e recebo constantemente relatos de professores e pais de crianças sobre o quanto esse trabalho desperta o interesse de seus alunos e filhos pela leitura.

FQ: Pierre André, como este blog é basicamente voltado para a literatura, gostaria que você falasse um pouco sobre os seus dois livros e como foi o processo de criação de tais obras.

Pierre André com um dos seu livros "Bicho-De-Versos" 
PIERRE ANDRÉ: 
Primeiramente, eu não posso de deixar de dizer que devo muito ao meu mestre, o saudoso Ítalo Mudado. O primeiro texto que tentei escrever foi uma peça de teatro, antes mesmo de terminar de escrever mostrei para ele e, ao me devolver a peça, ele disse que estava muito ruim, mas que se eu quisesse escrever alguma coisa boa, eu tinha que ler muito. Eu obedeci, claro! Mas o primeiro livro foi o Emengarda, a Barata. Eu sempre tive um certo trauma da tradicional história da Dona Baratinha. Cresci pensando no pobre coitado do rato dentro da panela de feijoada. Então, depois de me tornar contador de histórias, resolvi contar a história da Dona Baratinha do meu jeito, misturando com a cantiga da “barata diz que tem”. Já o outro livro Bichos De-Versos, não foi nada pensado ou planejado. Certa noite, e eu só consigo escrever à noite, madrugada a dentro, veio-me, não faço ideia de onde, a inspiração. E numa “sentada” escrevi o livro todo.

Pierre André, "o encantador de crianças de todas as idades"
FQ: Para finalizar o nosso rápido bate-papo, gostaria que passasse os seus contatos. Em outras palavras, como fazer para contratá-lo?

PIERRE ANDRÉ: Podem entrar em contato através do meu site:

Pelos telefones: (31) 9774-9051 /  3047-5190



E eu curto pra caramba, quando curtem a minha Fan Page no facebook: O Contador de Histórias, Pierre 
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