Sangue no papel

Para Pulo Fernandes e Pierre André
– Alô! É da Polícia?
– Pode falar.
– Mas a senhora não respondeu.
– Não. Não é da Polícia.
– Graças a Deus!
– O que o senhor deseja?
– Falar com os responsáveis pelos crimes.
– Nossa! Tá difícil de entender.
– A senhora é que está sem paciência. Seção policial, por favor.
– Ah, entendi. Departamento de matérias policiais?
– Claro. Um moço foi assassinado aqui de forma brutal.
– A Polícia já chegou aí?
– É enfrente à Delegacia.
– A senhora vem para cobrir a matéria? É coisa de outro mundo.
– Tragédia nacional. Muita audiência! Estou mandando a equipe.  
Depois de meia hora
– Quem ligou para o jornal?
– Foi aquele moço ali.
– Eu mesmo.
– Onde está o corpo? Sangue?
– O crime, minha senhora, aconteceu nesse livro aí que o contador de histórias tem nas mãos?
– Você está de brincadeira.
– Brincadeira não. É só a senhora ler a obra e vai entender o que se passou.

Depois de mais trinta dessas, a imprensa passou a dar mais atenção para a cultura

Imagem: cena do filme "A menina que roubava livro"
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