Bar do Zé Batidão

Assim que cheguei ao hotel, entrei em contato com o Sérgio Vaz. A esposa dele, muito educada, foi quem atendeu. Ele estava num outro número. Liguei e depois de ele informar o número do ônibus, que sai da Praça da Sé, antecipei:

“Quero trocar umas ideias contigo, Sérgio. Posso chegar um pouco mais cedo?”

“Pode chegar a hora que você quiser, mano! ”

Esse carinho na acolhida me encheu de alegria. E de fato é a marca do povo que frequenta a Cooperifa, confirmado já no ônibus que me levou. Quando disse que ia para o Bar do Zé Batidão com um moço com quem trocava ideia, ele na maior espontaneidade: “Te levo lá, mano”. E levou mesmo. “Seu Zé, trouxe um mineiro pro Sarau, tá aqui.”

Zé Batidão, o proprietário do bar que leva o seu nome, me recebeu com muito carinho. Ele também é mineiro, de Conselheiro Lafaete. E o Sérgio Vaz também já estava lá, preparando o som e ajeitando as mesas.
Bar do Zé Batidão. A fachada num grafite em homenagem a São Paulo e Minas Gerais. 

“Farelo, que bom que veio, mano! Estamos aí!”

Não quis atrapalhar o serviço dele. Fiquei trocando ideia com Zé Batidão e com um bancário, morador de lá mesmo. Entre uma pergunta e outra, fui me aproximando do Sérgio Vaz, muito atarefado, agitado. Mesmo sim, sempre à disposição. 

Zé Batidão montou uma biblioteca dentro do Bar. A gatinha Menina)  aí é o maior xodó do moço. 

Subimos para o segundo andar, onde ocorre o Cinema na Lage. Quinzenalmente, às segundas-feiras, são exibidos diversos filmes. Segundo o Sérgio Vaz, o espaço já recebeu mais de 100 pessoas. “Só não rodamos filmes de Hollywood aqui, mano! Temos que valorizar o que é nosso”.
Sala de Cinema da Cooperifa
Imagem panorâmica da Região
O poeta descreveu como foi difícil lançar o primeiro livro, mas foi na luta. E, em parceria com uma amiga, conseguiu. Mas dessa nossa conversa maravilhosa, algo marcou profundamente: seu relato de encontro, epifania literária. Ele sempre valorizou a leitura e, na década de 1980, era pouco compreendido na periferia. Não parava em nenhum emprego, porém sempre lendo muito. Quando, de repente, leu Dom Quixote. E afirma que, de certa forma, esse clássico mudou sua vida. Tanto que orgulhosamente, traz em um dos braços uma frase e uma ilustração da obra. No outro texto, a logo da Cooperifa. 

Na próxima postagem, o Sarau
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