Entrevista com Paulo Fernandes

Há alguns outonos queria conversar um pouco com esse artista que faz um bem danado para a leitura deste nosso Brasil. Na trajetória artística e intelectual, ele traz muita experiência, a começar pela formação: ator, filósofo e contador de histórias.   Ele também estreia o gênero entrevista aqui no blog. Tô muito feliz de você ter aceitado o convite para o Farelo 7,  Salve! Salve, Paulo Fernandes.

FQ: Paulo, primeiro, gostaria de saber um pouco sobre o seu histórico de leitor. Quando você tomou gosto pela leitura?

PAULO FERNANDES: Olá, Farelo! Bom, o gosto mesmo veio através do meu irmão, que nem sabe disso. Eu tinha 14 para 15 anos e ele tinha muitos livros. Eu sempre pedia emprestado e nada de conseguir. Como meu irmão trabalhava, à noite, eu pegava os livros escondido e lia. Lembro que o primeiro livro “roubado” (rsrsr) foi o Voo da águia, de Ken Follet. Depois disso, li Kafka, Dostoiévski. Fiquei sócio de uma locadora de livros localizada na Savassi e passei a comprar meus livros. Hoje tenho aproximadamente 800 livros.
Paulo Fernandes

FQ: Você acha que a melhor fase para adquirir o hábito da leitura é na infância? Caso isso não ocorra, o adulto pode não chegar experimentar o prazer pela leitura? Fale um pouco sobre esse rico processo.

PAULO FERNANDES: Caro Farelo, penso que o hábito da leitura adquirido na infância é sempre muito bem-vindo, mas acredito que a idade não importa muito, parece contraditório, não é?  Mas penso sempre na descoberta em qualquer fase da vida, o encantamento pelos livros e as fantásticas viagens proporcionadas são importantes na infância, adolescência e fase adulta. Acredito que o processo de formação do leitor seja algo constante e que pode ser despertado pelos pais, irmãos, amigos ou até pelo simples fato de um encontro inusitado com o livro.

FQ: Tenho acompanhado com frequência a sua atuação em projetos de incentivo à leitura, como por exemplo, Leitura na Praça. Como funciona especificamente esse projeto? Você está desde o início?



PAULO FERNANDES: Bom, no ano passado realizei com a Beatriz Myrra e outros amigos contadores de história o Piquenique Literário em diversas praças e parques de Belo Horizonte. Sempre aos domingos. Neste ano, fizemos 3 piqueniques. Quanto ao projeto Leitura na Praça, a responsável é a Estella Cruzmel. Fui convidado a participar como Contador de Histórias e aceitei imediatamente, pois acredito que devemos sempre somar forças em prol da leitura. Acredito também no livro como mediador de encontros entre as pessoas. O projeto acontece sempre no primeiro e terceiro domingos do mês. Sempre na Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza e é uma verdadeira biblioteca a céu aberto.
Projeto Leitura na Praça
 FQ: Sei também que há uma outra iniciativa no cenário da leitura voltada para livraria e praças. Conte-nos um pouco como surgiu a ideia do “Avental Literário”.

PAULO FERNANDES: O Avental Literário surgiu de um desejo de levar poesia, contos, literatura a todos os locais e públicos. O avental foi feito pela minha mãe. Sempre coloco nos bolsos os mais diversos livros e vou sem avisar, sem divulgar a algum lugar público. Aonde chego, digo assim: “Bom dia, boa tarde, boa noite! Aceita uma poesia, conto, literatura. Faz bem para o coração, apazigua a alma é de graça e não dói nada, posso ler para você ou se quiser fique a vontade para escolher e fazer sua leitura.” A partir desta fala, o avental ganha vida. É uma alegria muito grande ler para crianças, jovens e adultos. Isso sem contar nas reações das pessoas, que sorriem e sempre aceitam a leitura.

FQ: O Baú de Histórias é voltado apenas para o espaço escolar? Ele surgiu primeiro? Como é contar histórias para públicos diversificados.

PAULO FERNANDES: Bom, o Baú de Histórias é um trabalho que realizo em qualquer espaço onde tenha crianças, jovens e adultos. Surgiu há 10 anos e é uma alegria imensa contar histórias para todos os públicos. A maior recompensa é ver o sorriso no rosto de cada um e a participação de crianças e adultos.

FQ: Sobre essas importantes iniciativas, você seleciona um grupo de escritores e poetas para leitura? Como você cria as performances?

PAULO FERNANDES: Bom, a escolha dos escritores e poetas se dá sempre a partir da minha biblioteca pessoal. Procuro dar voz a todos, desde os mais famosos até os pouco conhecidos.  Inclusive poetas e escritores independentes. Quanto às performances, eu não as crio antes, acontecem na hora da leitura. Já para as histórias, eu as preparo no coração e no corpo e a maneira como vou contar acontece no momento da apresentação.

Paulo Fernandes no Piquenique Literário

FQ: Bem, para concluir este nosso bate-papo, que escritor(a) brasileiro(a) você tem o prazer de reler?    


PAULO FERNANDES: Meu caro amigo Farelo, releio sempre Bartolomeu Campos de Queirós, Clarice Lispector e Manoel de Barros...


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