88 bobô

Para o amigo Thiago Peixoto


Em breve, vou reler Guimarães Rosa. Ele mesmo, o nosso célebre artista que fez do sertão uma metáfora cujo o povo alemão está até hoje de queixo caído diante da genialidade de um escritor que, por cartas, sugeria aos tradutores o melhor vocábulo para atender à riqueza da língua alemã. 

Guimarães Rosa ficava encantado com a escrita de uma frase equilibrada, perfeita aos olhos clássicos de enorme exigência. Diz também a lenda que ele anotava tudo numa cadernetinha: nomes, ideias, plantas, nariz de bicho e mais um pouco que ainda não se tem notícia do seu uni(verso). Foi a partir dessas anotações, disciplina, cultura e oceânico conhecimento mais 10 anos de dedicação que escreveu Grande sertão:veredas, o mais importante romance do século XX, tornando-se sem sombra de dúvida a figura literária mais célebre da literatura brasileira. 

Eu? Contento-me com o encontro de uma palavra. Frase é para Rosa, amigo. Encontrei o título no sol dessa tarde. Oito e oito, bobô. 88 borboletas voando em seus sonhos... 
Até daqui...

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