Não entendi nada ...

Hoje, na parte da tarde, ministrei uma oficina de literatura. A atividade teve como norte a leitura de um conto. Ficou de cara com a galera. Primeiro, eles se assustaram com a presença de apenas um parágrafo. Reclamaram do excesso de pontuação, alegando que tal estratégia atrapalhava o ritmo do texto. Seria verdade? Esses mesmos interessados reclamaram da falta de pontuação da Poesia de 1922. Vá entender. Nessas oficinas, ouvimos de tudo: "texto chato", cansativo, coisa de louco, o cara que escreveu isso deve ser um louco. Trata-se de uma experiência regada de ânimo e surpresas mil. Mas nada melhor do que ouvir a fantástica frase "não entendi nada". Eu procuro sempre responder a esses comentários com um sorriso silencioso: "sério?" Depois, é claro, o leitor vai entrando nas artimanhas do texto e, às vezes, suspira aliviado após uma hora de trabalho: Ufa! Agora, entendi. É por isso que não penso para escrever, reescrevo organizando as ideias. Nobres leitores, curti demais a experiência. 



+